Lei da bicicleta em MT

Por: Amanda Fernandes

Arte: Helder Faria

Há dois anos, engajada em eleger Marina Silva presidente, resolvemos fazer uma pedalada! Essa pedalada aconteceu um dia depois do Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro. Nesse processo soube da existência do 10porhora, grupo que discute bike e sustentabilidade. Ao acessar seu blog, me apaixonei por sua estética e mesmo não conseguindo falar com nenhum dos seus membros, um deles compareceu a aquela singela pedalada.

Um ano depois, integrada ao grupo, pensei que esta data não deveria passar vazia. E o mais importante, foi descobrir que já havia uma mobilização para ela. E foi assim que eu conheci a Menina que pedala! “Você precisa falar com a Malu, uma das organizadoras” disse alguém do outro lado da linha lá Tribo Bike Sport, uma das lojas da cidade.

Fizemos contato e começamos a aglutinar aquele movimento. No dia 22 de setembro de 2011, haviam mais de 250 ciclistas na cidade realizando o trajeto da Praça 8 de abril – Rotatória Miguel Sutil Santa Rosa – Isaac Póvoas – Prainha – Shopping Pantanal – Av. Mato Grosso – Praça 8 de abril. Foi incrível!

Na data, lançamos a ideia de um abaixo-assinado para implementar ciclovias e ciclofaixas na cidade. Essa ideia floresceu e ganhou traços mais ousados – uma Lei de Iniciativa Popular para implantação de ciclovias e ciclofaixas em Cuiabá.

A Lei da bicicleta em MT discorre sobre a problemática ambiental, o caos no transporte público e afirma o quão necessário são as Ciclovias e as Ciclofaixas em todos os Corredores Viários e Vias Estruturais previsto no Plano de Mobilidade para a Copa 2014. Encoraja o Poder Público municipal e estadual nas suas esferas Legislativa e Executivo a implantar uma política efetiva e permanente de inclusão da bicicleta como um meio de transporte.

Assim, tencionamos a criação de um grupo que levasse adiante a ideia. No Facebook achamos cicloativistas, bicicleteiros, hobbybikers e muitos simpatizantes deste veículo de baixo carbono: a bike. O recente grupo desde então, tem se reunido na Praça 8 de abril. E nesse curto intervalo de tempo coletamos assinaturas para Lei da Bicicleta, em eventos organizado por outros movimentos: no ato contra Belo Monte (Praça Alencastro , 17 de dezembro) e na Corrida de Reis, com a Bicicletada de Reis.

Até o momento temos 444 assinaturas. As reuniões do grupo são quinzenais e podem ser acompanhadas pelo grupo “Ciclovia Já” no Facebook. Convidamos você, leitor do 10porhora, a contribuir com sua assinatura e participar dos grupos, no face e na praça. Nossa meta é conseguir milhares assinaturas este ano e apresentar aos poderes legislativos e executivos! Contamos com seu apoio e participação!

“Bicicleta é percepção. É o elo perdido entre homem ambiente. Vamos sair, colocar a cara no mundo e discutir soluções para um planeta em crise. Estamos juntos!” Vamos lá, vamos humanizar esta cidade!

 

Somos todos Pinheirinho

De São João da Barra ao Santuário dos Pajés.

 

Ameaça à liberdade na internet

Vamos deixar a internet na mão das empresas de entretenimento? Só o que faltava. O império das gravadoras contra-ataca.

 

Acessibilidade: uma inglória luta diária na cidade de Cuiabá

A jornalista Keka Werneck conta um pouco os desafios que os portadores de necessidades especiais passam na capital de Mato Grosso. A pergunta que fica é: Como conseguir ciclovias de um pode público tão falho, que desrespeita até os cidadãos que mais precisam de cuidados ? O 10porhora luta por cidades inclusivas, onde TODOS possam exercer o seu direito de ir e vir.

Tetraplégicos quase não podem sair de casa em Cuiabá e VG


Por Keka Werneck

Giuliano Rampassi da Silva, 27 anos, tetraplégico, passa maior parte do tempo em casa, no bairro Ponte Nova, em Várzea Grande (MT). Essa é a rotina de boa parte dos que sofrem do mesmo problema que ele. Como Giuliano, são 955.287 tetraplégicos no Brasil, ou seja, 0,56% da população brasileira.

Quando a gente entra pelo portão de frente da casa de Giuliano, no final de uma longa rampa, geralmente lá está ele na varanda, em sua cadeira de rodas. É um moço alto e magro, de traços bonitos, comunicativo, mas sério, com ar de pessoa inteligente.

Há uma década, quanto tinha 17 anos apenas, sofreu um acidente em uma festa de encerramento do ano com colegas do Ensino Médio e ficou tetraplégico. Pulou de ponta-cabeça na piscina e adeus coluna vertebral!  Desde então, do pescoço para baixo, faz mínimos movimentos e somente nos braços. Isso aconteceu também com o escritor Marcelo Rubens Paiva, que pulou em uma cachoeira. Ele é autor do livro Feliz Ano Velho, entre outros.

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Cachorrinha que faz trilha com o dono

Garanto que se tivesse bike pra cachorro ela ganhava dele.

Só pra contar a raça do cão: Jack russell terrier

 

A História da Água Engarrafada

Porque ainda é uma realidade.

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Garrafinhas de vender água, que poluem o solo, o ar.. e a água.

 

Elomar, Manoel de Barros e um pouquinho de física quântica

Por: Júlio Resende Duarte

Publicado também no www.bolinhadegude.wordpress.com

Este artigo é meu presente de Natal aos meus amigos e estudantes

Gosto muito do ouvir Elomar, um violêro do Sertão. Sua música e poesia são bonitas demais. Do meu quarto, conheci a terra dos cantiguêros e suas lindas histórias. Com a luz apagada, minhas raízes imanentes eram podadas e eu me libertava daquilo que me fixava ao cotidiano e à minha própria história. Pela música do Elomar, eu viajei, voei alto pelo Sertão. Pelo dele e pelo meu Sertão. Pra dentro da patrea vea. Eu me reconheci um sertanez.

Elomar se formou arquiteto e logo se decepcionou com a profissão. Não lhe caia bem trabalhar para os ricos. O músico voltou para as barrancas do Rio Gavião para criar cabras e compor sua música. E lá ele permanece cumprindo sua vocação que é criar. Na teoria quântica, criatividade é o diálogo entre o seu self clássico e o self quântico. O primeiro é o ego, aparentemente um indivíduo no mundo, separado do resto. Já o segundo, é o inconsciente coletivo, o Eu Maior. Neste modo, há apenas uma unidade, atemporal. Todos os seres humanos tem acesso a esta modalidade quântica. Basta escolher, transcender. Leonardo Boff, na palestra que segue, nos ensina um pouco mais sobre transcendência. O nosso lado galinha é o imanente, a raiz que nos liga ao cotidiano, à matéria que nos cerca. Já o nosso lado transcendente, quântico, é nossa vocação de ser águia, de criar, de subverter, de comer a maçã, de dar um salto quântico, de vivenciar nossa modalidade onda, una, transcendente, universal.

Meditadores experientes e artistas, por exemplo, são capazes de baixar sua frequência cerebral consideravelmente. É nas frequências cerebrais mais baixas que a criatividade pipoca na sua cabeça como um processo de descontinuidade, um salto para fora do sistema, a criação do novo. A nova ideia surge como o salto quântico do elétron de uma órbita para a outra. Surge do diálogo entre nosso ego clássico e quântico. Outros métodos espirituais como a reza, a dança e o canto são formas de baixar a frequência. Alguns tipos de turismo também proporcionam este tipo de experiência, como por exemplo as viagens de bicicleta.

No ócio (criativo), na prática espiritual e na música, vivenciamos a criatividade. No entanto, as idéias são apenas possibilidades no domínio transcendente. Eles aguardam até serem materializadas. Este é o momento da prática (Amit Goswami em Criatividade Quântica). Paulo Freire nos ensinou a importância da Práxis: relação dialógica da reflexão e da prática. Este conceito é também parecido com Águia e a Galinha, Yin e Yang. É também semelhante à filosofia de vida de alguns baianos e outros cuiabanos. É muito importante trabalhar, mas é mais importante trabalhar pouco. Excelente receita para o diálogo entre os modos clássico e quântico. O Cuiabano, por exemplo, produz e senta na cadeira de balanço, produz e pesca, produz e joga bola, produz e canta o siriri. E pensar que aqueles outros habitantes do Mato Grosso que são impregnados pela lógica da produção, trabalho e consumo excessivo chamam a cultura tradicional da baixada cuiabana de preguiçosa. A cultura do progresso é baseada na física clássica e precisa se atualizar pois suas leis não se aplicam ao mundo subatômico. Sugiro também aos progressistas (econômicos) que atualizem sua física!

Da mesma forma que viajei pelo Sertão, vivenciei o pantanal de Manoel de Barros. O poeta, pantaneiro mato grossensse, é um legítimo representante desta linda cultura. Sua contribuição para o mundo é uma poesia que emociona e provoca no leitor o surgimento do novo. Ele escreveu: tudo que não invento é falso. A criatividade o faz cumprir a vocação humana que é criar e contribuir com o coletivo. Materializar o propósito universal. No documentário ‘Só dez por cento é mentira’, o poeta alega que os outros noventa porcento são criação. Este é um perfeito exemplo de quem faz um diálogo intenso entre seu modo imanente e transcendente. Aquilo que é condicionado ao passado em sua poesia é mentira, é apenas imanente. O resto é a verdade, pois é a criatividade, um salto quântico, é quando a verdade universal e atemporal desabrocha no poeta.

É exatamente este o caso do Elomar. Ele vive no Sertão, onde tem raízes profundas e imanentes. No entanto, materializa sua linda música ao transcender na mente. No documentário Sertanias, o músico diz que só escreveu apenas dez por cento do que já compôs na sua cabeça. E olha que ele já produziu algumas dezenas de óperas sertânicas. Notem que ambos se dedicam integralmente às suas vocações. Eles sairam da caverna de Platão, romperam com a inércia do ‘eguinho’ e se dedicam ao diálogo com o ‘egão’. A filosofia de vida destes dois nos ensina muito sobre espiritualidade, que pode ser compreendida também como o desenvolvimento pleno do potencial humano. O violêro sertanez se tornou música e o poeta pantaneiro árvore. E você, já experimentou criatividade? Já experimentou o potencial infinito de sua modalidade águia? Fique à vontade se quiser tentar e saiba que corre o risco de ser feliz.

Outros artigos sobre física quântica

 

Manga em Cuiabá, the city of mango!

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Retratos de bicicleta


Em breve ninguém mais vai precisar de grandes financiadores (corporações) para bancar projetos. Estamos adentrando a era do Crowd funding , onde o financiamento pode vir de milhões de anônimos em vez de $$milhões de um.

Bicycle Portraits – A Photographic Book – Kickstarter Part III from Bicycle Portraits on Vimeo.

Este projeto é um dos pioneiros. Um livro de retratos de bike feito por uma dupla de sul-africanos que rodaram o país fotografando pessoas e suas bikes.

Saiba mais em: Miss Moss Dica: Motibeller

 

 

Vazou…

Lucidez na rede bobo, por essa eles não esperavam! Boa, belíssimo comentário, Mônica Veríssimo!

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A gota d’água para a falta de argumento

Por: Thiago Foresti

Sou simpatizante da causa ambiental, acompanho atentamente as notícias sobre questões como Código Florestal e Belo Monte, participo de discussões e reflito com os amigos sobre o assunto. Confesso que fiquei um pouco decepcionado e até mesmo ofendido com o vídeo da campanha “A gota d’água”, no qual atores globais aparecem com seus botoxes e maquiagem para tentar convencer as pessoas de que o governo não deve implantar a usina no Pará.

Os argumentos são fracos e por vezes mentirosos. Superfaturaram valores, aumentaram a área alagada e não trataram do ponto central da questão que é: o tipo de desenvolvimento que queremos?

Quem é contra Belo Monte não é contra apenas pelo desrespeito com os povos indígenas ou pelo alagamento do seu entorno. Claro que colocamos isso na balança também, mas a posição de quem é contra tem muito mais a ver com um projeto de país do que com coisas pontuais. Belo Monte é um megaprojeto financeiramente e ambientalmente oneroso que respeita moldes de desenvolvimento arcaicos e insustentáveis.

Sua construção vai enriquecer empreiteiras e sua energia vai favorecer siderurgias e outras industrias pesadas. De fato precisamos de energia, esse é um dos principais gargalos para nosso crescimento. Mas seria essa energia mais importante do que os serviços ecossistêmicos oferecidos por aquela região? Que valor esses serviços terão no futuro? Será que estamos realmente pensando a longo prazo?

Somos um potência natural num mundo devastado. Temos um tesouro no nosso quintal. Nossas florestas são um serviço inestimável para nossa agricultura e meio de vida. Mas agora, estupidamente, vamos reproduzir a lógica que devastou o resto do mundo para seguir exatamente no mesmo caminho? Que vantagem há nisso?

O Brasil tem a chance de liderar uma nova forma de economia, baseada na sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. O vídeo dos globais ingenuamente cita opções de energia como eólica e solar, que, sabemos, não são tão eficientes para produção em larga escala. Mas o problema de energia no Brasil (e no mundo) pode ser resolvido de outras formas, apenas mudando a ótica da infraestrutura, analisar do micro e não do macro. Disponibilizar placas solares em prédios, cata-ventos em fazendas, cada um poderia ter sua própria micro usina elétrica em casa e disponibilizar o excedente na rede. Hoje em dia é possível até gerar energia através das ondas do mar, pedalando ou dançando. Nós já temos a solução, basta organizá-la e espalha-la de forma a torna-la viável. Quem precisa de um megaprojeto de bilhões em um mundo em que uma criança no sertão da Bahia pode aprende a fazer um dínamo no Youtube?

O mundo passa por uma revolução de costumes e de paradigmas. Por um lado fico feliz com o resultado do vídeo. Não por ele ter gerado quase um milhão de assinaturas, mas por ter gerado esse vídeo abaixo, de estudantes da Unicamp. Afinal, essa também não deixa de ser uma quebra de paradigma: estudantes desmentindo as “verdades” de atores globais. Por muito tempo rostinhos bonitos sustentaram argumentos frágeis…  Mas essa foi a gota d’água.

 

O Fim da Sociedade em Pirâmide!

azagra